sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Sobre o feminino, o feminismo e as flores


            Presume-se que toda mulher gosta de flores, certo? Errado! Tenho visto, cada vez mais, milhares e milhares de damas que não só não ligam para o tão querido buquê de flores como, também (ou seria melhor “ainda por cima”?), têm horror a esse clássico mimo. Consequência do famigerado feminismo surgido de uns tempos pra cá? Predisposição genética para um coração de ferro? Ou apenas mudança de prioridades?
            Da luta histórica da mulher pela igualdade de direitos, todas nós já estamos cansadas de saber, afinal de contas, somos mademoiselles de carteirinha (somos?!) e, mesmo que não fôssemos, esse é um assunto extremamente comentado em quase todos os lugares – principalmente agora, nas propagandas eleitorais obrigatórias (não sou obrigada!). Sendo assim, já é automático se pensar na gênese do feminismo atrelada a essa batalha tão comentada até hoje.
            Eu, particularmente, não sou adepta de nenhum extremismo, seja ele religioso, ideológico ou de qualquer outro âmbito e, por isso, vou de encontro às feministas radicais. Porém, a questão em voga é: por que tantas mulheres deixaram de gostar – ou nunca gostaram – de receber flores? Influência do feminismo? Ao contrário do que muitos pensam, ser defensora da causa feminista não quer dizer ser anti romantismo. Há diversas feministas que amam, sim, ser presenteadas com um buquê de rosas vermelhas. Portanto, primeira opção, descartada.
            Quanto à segunda especulação, nada a declarar. Ou melhor, tudo a declarar: quem considera uma moça “coração de ferro” só porque esta não quer ser mimada com flores, certamente é do sexo masculino. Indignados e/ou surpresos – negativamente -  com certas ações anti românticas praticadas por algumas de nós, os machos alfa não têm sequer outra escolha, a não ser nos chamar de “coração de ferro” ou alguma outra variação do termo, como “mal amada”, “mal comida” e “maria sapatão”.
            Entretanto, sabemos que a aversão às flores nada tem a ver com opção sexual ou transas ruins, muito menos com ausência de amor. O argumento da maioria das ladies é o de que as rosas murcham e morrem em apenas alguns dias, não valendo a pena, portanto, gastar tanto dinheiro com algo perecível, efêmero. Já o chocolate não é tão odiado, muito pelo contrário: ele é sempre – ou quase sempre (no caso de dietas, abre-se uma exceção) – bem vindo.
            Vemos, sendo assim, que, sobre o repúdio às flores, só nos sobrou a terceira opção: mudança de prioridades. Muitas mulheres, hoje em dia, não ligam sequer um pouquinho para o romantismo. Para elas, muitas das vezes, o essencial é a fidelidade. Já para outras – não vou negar – o mais importante é mesmo o dinheiro. Sobre essa mudança de prioridades nos relacionamentos, entretanto, só não sei até que ponto isso foi escolha nossa. Pode ser, quem sabe, que tenhamos sido forçadas a procurar outras qualidades nos homens, uma vez que eles deixaram de ser românticos. Ou, talvez, eles mesmos relegaram o romantismo ao perceberem que não estávamos mais tão encantadas com isso.
            Sejam as atitudes clássicas (e muitas das vezes clichês – que eu, porém, particularmente, amo) amadas ou odiadas, o que importa é que elas ainda existem – são mais raras que notas de um real, porém ainda existem.  Abrir a porta do carro, puxar a cadeira para sentarmos, dar flores, desejar bom dia e boa noite, oferecer para pagar a conta, interromper a briga com um beijo... são pequenas atitudes que, embora em extinção, ainda conseguem nos fazer suspirar de alegria e emoção – ao menos nós, as conservadoras, que ainda não cedemos às mudanças de prioridade em um relacionamento. Se somos minoria, não sei. Tudo o que sei é que mais vale um homem sem romantismo e fiel a um romântico infiel.

Nati Ribeiro
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