sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Sobre fragilidade, orgulho e perdão

    Na última quarta-feira, achei que fosse morrer. Vocês – que moram em Brasília – lembrarão, certamente, do tornado que resolveu passar por aqui. Não bastasse ele para nos assustar, veio, ainda (de brinde), uma chuva torrencial, daquelas de derrubar teto de casa – e de aeroportos, diga-se de passagem.
    Para quem não está entendendo ainda, explicar-lhes-ei: na quarta-feira, primeiro dia do mês de outubro, São Pedro resolveu chorar as rosas (e os cravos, e os lírios, e as orquídeas...) aqui em Brasília. A chuva foi tão forte que, além de ter conseguido seus quinze minutos de fama nos noticiários locais, ainda estragou uma parte do aeroporto JK (tão jovem, coitado...).
    Enquanto os vídeos dos estragos passavam de whatsapp em whatsapp, eu estava “ilhada” no meio da Avenida das Nações – mais conhecida como via L4 - , assistindo todas as folhas das árvores caírem (após uma dança medonha – com direito a participação especial do doutor vento). Quando a chuva chegou, eu não sabia se continuava dirigindo – a 20km/h (como alguns carros estavam fazendo) – ou se parava debaixo das árvores.
     Decidi seguir em frente, pois, dizem as más línguas (ou seriam as boas?) que árvores atraem raios. Nem mesmo o melhor para-brisa conseguiu fazer seu papel: havia tanta água que eu não enxergava, sequer, o carro da frente. Foi nessa hora que, além de rezar, comecei a refletir sobre a fragilidade do ser humano. Até que ponto podemos nos considerar os donos de tudo? Até que ponto podemos achar que dominamos todas as coisas? Até que ponto nossa prepotência não é, somente, uma fragilidade oculta?

    Enquanto estamos ocupados demais achando que somos melhores que os outros, ou que somos invencíveis, ou, ainda, que ninguém/nada pode nos derrubar, vem uma chuva dessas e, por pouco, não distrói a vida de muita gente. Isso porque Brasília, graças a Deus – diga-se de passagem - , não sofre tanto com as intempéries.
    Já estamos bem familiarizados, no entanto, com os muitos casos de destruição em massa ocorridos em certas regiões do país – e que continuam, infelizmente, a ocorrer. Eles são a prova de que nossa força jamais será a maior – a da mãe natureza prevalece sempre.
    Por isso, devemos aceitar nossa fragilidade e, consequentemente, deixar de lado nosso orgulho. Reconhecendo que podemos morrer a qualquer instante, o ideal é nunca deixar brigas e/ou discussões mal resolvidas. Quando se trata de pessoas amadas, meu conselho é simples: mais vale um orgulho relegado que um coração amargurado. #natipoetisa
     Além disso, recomendo, a vocês, que saibam perdoar. O perdão, a meu ver, é a qualidade mais nobre do homem. Nada como deixar o orgulho de lado – como eu já disse anteriormente -  e purificar o coração com esse ato tão gracioso. Pois, afinal de contas, mais vale sentir medo de algo extremamente forte que sentir rancor de alguém que tanto amamos.
    Nós partimos. Já as lembranças, permanecem. Qual será o seu legado?

Nati Ribeiro

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