sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Sobre estresse, calmaria e alongamento.

    Dei a louca e resolvi passar dez dias fora de Brasília. Obviamente, se fosse por mim, eu viajaria muito mais do que viajo. Mas, por questões financeiras, nem sempre é possível me dar ao luxo de fazer uma das coisas que mais amo na vida - viajar, é claro. Felizmente, por um milagre de Deus, tive a oportunidade de ser contemplada com uma das melhores viagens que já fiz em toda a minha existência. Ganhei de presente da família do meu namorado e, obviamente, não poderia rejeitar tal oportunidade. Pensei muito bem antes de abandonar toda a minha rotina nesta querida terra candanga (sim, eu amo Brasília!), pois, como muito já sabem, eu sou extremamente rigorosa com estudos e obrigações diárias. Esse meu jeito neurótico de ser - com livros, matérias e provas - faz com que eu tenha uma conduta muito estressante, que, inclusive, acaba desgastando aqueles que convivem comigo. Sendo assim, após convencer meus pais de que eu realmente conseguiria recuperar todo o tempo perdido na faculdade, aceitei o convite e, no dia 09 de outubro, parti para Trancoso - BA. 
 
     Nunca havia visitado o Nordeste anteriormente (sim, pasmem!). Fiquei maravilhada com o lugar: as pessoas são mais calmas, mais receptivas e, claro, mais bronzeadas. É, parece que o sol realmente afeta o humor das pessoas - positivamente. A melanina dos habitantes do local me contagiou: a cor do pecado é, de fato, muito atraente. Fiquei hospedada em um hotel com todas as comidas e bebidas inclusas. No início, resolvi perder a linha e comi até passar mal - passei tão mal que não conseguia levantar-me da cama (foi horroroso!). Após o desespero comidístico inicial, resolvi tentar controlar a minha alimentação -  o que, de início, até surtiu um efeito bom, mas que, após algum tempo, fez-me refletir acerca das verdadeiras prioridades da vida. Teria eu necessidade de seguir dieta até mesmo em uma viagem? Resolvi, após um breve pensamento (falou em comida comigo, eu não penso muito...), parar de fazer dieta e enfiar o pé na jaca - coloquei-me em risco de passar mal novamente, mas,  o prazer momentâneo falou mais alto. Engordei três quilos na viagem e – acreditem se quiser - fiquei feliz com isso. Estou me sentindo melhor e muito menos neurótica! 
    Outra mudança ocorrida na viagem foi minha retomada aos alongamentos. No hotel em que fiquei hospedada, havia diversas aulas – de dança (axé), arco e flecha, trapézio e, claro, alongamento - .  O lugar totalmente arborizado e pacífico ajudou muito na minha motivação para retomar essa atividade – que eu, inclusive, sempre fui fã (na época em que fazia jazz, era meu momento favorito)  - . Percebi, no entanto, o quanto eu havia retrocedido: minha elasticidade diminuiu muito! Mas, como todos sabemos, esse é o grande problema do alongamento. Por isso, é recomendado que o ser humano se alongue todos os dias, pois, com o passar do tempo, vamos perdendo nossa flexibilidade. Após voltar para Brasília, continuei a realizar meus alongamentos (de maneira bem branda) durante as manhãs. Acordo e, logo ao lado da cama, já me estico um pouquinho. Isso faz com que eu acorde – de fato (e não apenas levante da cama como um zumbi) -  e já inicie meu dia melhor. Logo após o pequeno ritual, lavo meu rosto com uma água bem gelada e já vou tomar meu café da manhã – que, por sinal, é extremamente energético e delicioso. Na minha opinião, o café da manhã é uma das melhores refeições do dia (se não a melhor). Já acordo morrendo de fome e, caso não tome um café da manhã reforçado, meu dia não rende.
     Bom, para concluir, deixo aqui as lições que aprendi durante esses dez dias no Nordeste: mesmo que pareça loucura, aposte em alguns dias “off”. Não necessariamente você precisa viajar, mas, pelo menos, tire um tempo só para você. Além disso, tente começar – sempre – seu dia com o pé direito. Coisa boa atrai coisa boa. As energias ruins são dissipadas no ar a partir do momento em que você decide abandoná-las. Conheça seu corpo: seja através de um pequeno alongamento nas manhãs ou através de um banho bem relaxante, seguido de uma auto massagem – com um creme bem cheiroso e hidratante. Dance, cante, saiba contemplar a natureza. Pare, ao menos por alguns segundos, e respire profundamente. Olhe a paisagem ao seu redor – mesmo que seja uma paisagem de concretos. Pense. Pense mais. Reflita. Não reflita demais. Aja, pelo menos de vez em quando, impulsivamente. Nada melhor que enfiar o pé na jaca algumas vezes. Enfim, encontre sua maneira de dissipar o estresse diário com uma boa dose de calmaria. Até eu, amante da vida caótica, rendi-me ao pacífico. Ser bucólico demais não dá certo nos dias de hoje, eu confesso. Mas, ser totalmente estressado – sem nem um pingo de paz – pode sufocar. Não se sufoque. Não se estrague. Não se deixe chegar ao ponto em que os problemas valem mais que a simples contemplação da vida.

    Você está vivendo? Ou apenas sobrevivendo?

Nati Ribeiro

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