domingo, 16 de novembro de 2014

Sobre ambição, tempo e luxo.

            Sempre me dividi entre o lado altruísta -oriundo de um pensamento mais de esquerda - e o lado individualista - uma alusão, talvez, à minha essência de coxinha. Não que eu acredite em uma divisão pré estabelecida, mas, se for para me posicionar em algum dos lados do muro, que seja o da neutralidade.
            Como boa mineira, nascida em Belo Horizonte, honro minhas raízes ao permanecer em cima do muro (sim, os mineiros têm a fama de nunca escolherem um lado). Quem sabe não tenha sido por isso que escolhi a profissão de jornalista? Afinal de contas, de que vale um jornalista totalmente parcial? Bom, talvez ele até sirva para blogs opinativos  - imprensa marrom? - ou para veículos que se dizem imparciais, mas que, na realidade, são verdadeiros formadores de opinião.
            Há quem diga que, nos dias de hoje, não há mais essa divisão entre esquerda e direita. No poder, pode até ser que isso seja verdade, mas, na cabeça das pessoas, sempre haverá uma tendência a um dos lados, mesmo que seja nas atitudes banais cotidianas. Quando vou ao shopping, por exemplo, sou a primeira a pensar em fazer tudo - ou quase tudo - por dinheiro. Minha ambição é tão grande que chego a cogitar ações anti éticas para conseguir ter uma boa fonte de renda e, claro, comprar meus looks bafônicos - todos de marca e extremamente luxuosos (hehehe).
            Mas, ao viajar para um lugar paradisíaco, deserto ou até mesmo para um lugar movimentado (mas que seja diferente do que eu vivo no dia-a-dia), começo a perder essa minha avidez e desenvolvo meu lado mais humanitário. Penso, ao menos por alguns instantes, em virar hippie e nunca mais ter uma mente capitalista.
            É por isso que me considero uma pessoa completamente em cima do muro: ora individualista, sovina e ávida, ora benevolente, desprendida e tranquila. Como lidar com essa minha ambivalência? Em terra de inconstantes, quem possui um pingo de coragem para se posicionar a respeito de algo é rei. Não digo um posicionamento de fachada - daqueles dignos, somente, de postagem no facebook  - mas, sim, uma opinião bem formada, oriunda de muito estudo e vivência. 
            Na teoria, prefiro o lado esquerdista. Sou humana e, apesar de ter fama  de insensível, possuo meu lado mais "manteiga". Mas, na prática, meu lado consumista sempre fala mais alto. E, apesar de eu querer proporcionar coisas boas às pessoas - principalmente aos que eu amo - quando me falta dinheiro, por exemplo, sou a primeira a cortar qualquer tipo de gasto com os outros para que me sobre ao menos uma pequena quantia para meus luxos. Egoísmo? Sim! Não nego nem nunca neguei meu jeito "mão de vaca" de ser. Foi com esse meu jeito que consegui poupar, milhares e milhares de vezes, para comprar minhas futilidades - que, para mim, estão mais para investimento e status do que propriamente para algo fútil.
            Em meio a ambições e luxos, entra o tempo: esse senhor doutor, que possui a solução para tudo. Com o tempo, fazemos o que queremos (ao menos era pra ser assim, né?). É através de uma boa administração desse "ser" tão amado que conseguimos atingir nossas metas. Seja por meio de estudos, de cuidados com o corpo ou qualquer outra coisa que venha a nos trazer benefícios - financeiros ou pessoais. Nossas metas são traçadas e, caso consigamos uma boa administração do tempo, teremos, na minha opinião, mais da metade do caminho trilhado para o sucesso. Obviamente que não nos basta só o tempo para sermos bem sucedidos. Precisamos, além disso, de disposição e persistência para mantermos essa boa relação com o relógio. 
            Planejamento, foco e, obviamente, muita vontade são os três requisitos indispensáveis para atingirmos nossas metas - sejam elas de cunho materialista ou não. Se você é de esquerda (e tem uma ambição mais altruísta) ou de direita (e possui ideais mais "expansivos"), pouco importa. O que importa é fazer bom uso da coisa mais preciosa que nos foi dado: o tempo. É através do tempo que conseguimos paz interior, dinheiro, paixão, saúde, bons costumes ou qualquer outra coisa. Seja seu sonho conseguir ser podre de rico ou atingir a paz interior, o caminho é o mesmo: determinação para conseguir fazer bom uso - sempre - do tempo.

             Se você, assim como eu, vive um constante duelo interior - uma guerra entre o egoísmo e o altruísmo - não se preocupe: o que importa é definir suas metas de vida, mesmo que elas mudem com o passar dos anos, dias ou até mesmo horas. Contanto que você consiga permanecer vivo e motivado, o resto é só o resto. Afinal de contas, mais vale o caminho do que a chegada. "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". Mas, a meu ver, permanece - sempre - a vontade de ser feliz. Acima de tudo. Acima de todos. Egoísmo? Talvez. Não me importo. Minha meta mesmo é ter felicidade. Para todo o sempre.