dezembro 13, 2014

Sobre esforço, reconhecimento e expectativas

É válido se esforçar tanto para não obter o reconhecimento almejado?  A meu ver, sim. Em primeiro lugar, penso que, se fazemos algo – de coração – para alguém, não devemos nem mesmo esperar algo em troca. Se amamos, amamos: fim de papo. Não existe essa de amor com benefícios. O reconhecimento vem com o tempo na maioria das vezes e, se não vier, paciência. Ao menos se tentou fazer o melhor.
Devo admitir que toda essa história de não criar expectativas em torno de algo já está completamente manjada na internet (e, talvez, até nas conversas de bar). No entanto, não posso deixar de comentar esse famigerado assunto, afinal de contas, se está na boca do povo, é porque está acontecendo de verdade – e muito.
A questão da espera de um bom retorno é inerente ao ser humano: todos nós, involuntariamente, imaginamos certas cenas em nossas mentes com o objetivo de satisfazermos nosso ID – termo criado por Freud para designar a porção mais “teimosa” e “selvagem” do nosso inconsciente (os famosos impulsos). Mas essa satisfação, muitas das vezes, só fica no âmbito do imaginário e não evolui para a realidade.
Nosso cérebro começa a se sentir realizado por meio das fantasias, mas, quando o teatro da vida bate à porta: Xuá! Um balde de água fria cai em nossa cabeça. Nada fluiu como planejamos. A pessoa que tentamos agradar – com as melhores das intenções – não reagiu da maneira como esperávamos. O que fazer? Chorar? Talvez seja uma boa opção, muito embora choro algum dê futuro. Na minha humilde – e experiente (what?) - opinião, o melhor é sofrer calado e levar, para toda a vida, uma lição: nada é como planejamos na nossa cabecinha medíocre, porra!
Obviamente, há pessoas que nos surpreendem positivamente – graças a Deus isso ocorre (com frequência inclusive). No entanto, não podemos achar que a vida só sorrirá para nós o tempo todo. Existem certas coisas que precisam, de fato, acontecer para que nós possamos progredir. A vida não pode ser (e nem é) como um filme Hollywoodiano, no qual os protagonistas se amam eternamente após terem resolvido seu primeiro – e único – clímax. Nossa vida pode até ser como um longa-metragem (e que seja um longa beeeeem longo!), mas, nesse drama real, é necessário que se tenha não somente um conflito, mas, sim, diversos embates.
O “felizes para sempre” não deve ser o nosso desejo principal: a felicidade foi feita para ser sentida em toda nossa trajetória, mesmo com as guerras internas e externas. Esperar reações cinematográficas de quem amamos só resulta em decepção, afinal de contas, nem todos temos a obrigação de atuarmos com toda a dramaticidade do mundo. Eu, particularmente, não quero que reajam com falsidade aos meus mimos: se gostou de receber amor, ótimo. Se não, que pena. Ótimo também.

Eu sou extremamente feliz e isso, creio eu, incomoda muita gente. Mas, em oposição ao provável pensamento de muitos, eu nunca idealizei nenhum tipo de vida de cinema. Muito pelo contrário: gosto mesmo é de viver o real, o intenso, o agora. Se isso significa quebrar a cara devido à ingratidão de alguém, maravilha. Ultimamente, nunca tenho agido esperando um retorno às alturas do meu afeto. Infelizmente, nem todos são assim. Mas a boa notícia é que eu, no passado, também não conseguia me desvincilhar das expectativas. Por meio de um trabalho mental (sim, tudo depende do bendito trabalho mental!), tive sucesso em me tornar uma pessoa altruísta (nem tanto!) sem esperar uma recompensa.

 Nati Ribeiro

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