dezembro 05, 2014

Sobre inquietações permanentes, homens e libertação.

            De vez em quando, pego-me a pensar sobre a dificuldade que algumas mulheres têm em manter um relacionamento amoroso. Por que isso? O que leva mulheres incríveis (extremamente autoconfiantes e bem resolvidas com elas mesmas) a sofrerem tanto para “segurar o bofe”?
            Aposto que muitas – se não todas – acabam concluindo que o problema está nelas mesmas. Depressões, queixas incansáveis e crises existenciais começam, portanto, a aparecer na vida dessas fêmeas fatais. Indagações do tipo “Por que ele me largou?” ou até mesmo “O que eu fiz de errado?”  são tão comuns para elas como ipês na primavera.


            Porém, ultimamente, tenho pensado – talvez até demais – nisso. Nunca consegui me convencer de que o verdadeiro problema está nas mulheres. Não, eu não sou feminista (tudo bem, posso até ser um pouco, mas, longe de ser radical, por favor!). Mas a questão não é ser ou não feminista: é mais profundo que isso. Não defendo as mulheres simplesmente porque sou uma. Defendo-as porque, assim como elas, eu também sofri – e sofro – muito com isso.
            Ao contrário do que parece, não vivo em constante plenitude no meu relacionamento. Obviamente, sou extremamente feliz com meu companheiro, mas, assim como em qualquer outro relacionamento, temos nossos problemas e crises. Notei, após uma análise minuciosa, que sempre fui alvo das mesmas críticas em todos os relacionamentos: tanto meu atual quanto meus pretéritos namorados sempre se queixaram das mesmas coisas. Coincidência? Creio que não. O buraco é mais embaixo.

            Será que eu só fico com homens que possuem a mesma opinião? Será que eu só me relaciono com rapazes machistas? Será que é um complô – organizado pelos anjos ou pelos próprios seres humanos – para eu mudar minha conduta? Não, não e não. Mas, será que o problema está, então, comigo? Será que eu é quem sou a errada da história? Afinal de contas, se todos têm as mesmas queixas, talvez a equivocada seja, realmente, eu.
            Certa vez, um amigo homossexual me disse que eu é que não sabia escolher os meninos: optava sempre pelos coxinhas, que nunca aceitariam, obviamente, uma mulher muito “dada”. Sim, eu sempre fui mais “pra frente”. Talvez seja apenas meu jeito mineiro de ser: simpática com todos -  o que pode culminar em más interpretações quanto ao “papo” que dou aos outros homens. No entanto, não posso mandar no meu coração: escolho, sempre, os que fazem meu coração bater mais forte. Se são conservadores ou não, pouco importa. Não quero viver com um anarquista/liberal só porque ele vai me deixar livre. Se eu não gostar dele, não vai rolar.
            Passei boa parte da minha existência divagando por aí, tentando refletir acerca das queixas que recebia dos homens. Por que eles não podiam me aceitar do jeito que sou? Eu mereço um reconhecimento, afinal de contas, não sou ciumenta, deixo-os livres para fazerem o que quiserem (futebol, videogame, sair com os amigos), não fuço celular, não dou “piti” na frente de ninguém (nem nas costas!)... O que me falta? Dou atenção, carinho, sexo, sorrisos, presentes (na medida do meu poder aquisitivo, obviamente). Pois é. Talvez os homens não saibam apreciar nenhum tipo de mulher: se são ciumentas/grudentas demais, reclamam. Se os deixam livres, também.

            Pensando bem, no entanto, arrisco um palpite: medo. Sim, eles têm medo de mulheres autoconfiantes e decididas. Mais vale, para muitos, ter uma mulher ciumenta porém submissa do que uma liberal e, no entanto, trabalhosa. Eles não querem ter dor de cabeça com nada e, obviamente, mulheres independentes causam um certo rebuliço na sociedade machista.         E esse “auê” na classe conservadora tem como consequência grandes preocupações futuras.
            O que fazer, portanto, para se ter um relacionamento pacífico? A dica que eu lhes dou hoje é: ops, não tem dica! Não existe relacionamento perfeito! Queixas e reclamações sempre existirão, até o fim dos tempos. Não quer isso pra você? Liberte-se! Viva sem os homens. Pode parecer difícil (eu, até hoje, não consegui), mas, se alguém for capaz e quiser me contar a experiência, sou toda ouvidos. Minhas dúvidas e indagações a respeito dos homens continuam martelando minha cabeça, e, pelo que tenho percebido, não vão acabar tão cedo.
            “Um belo dia resolvi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer. Me libertei daquela vida vulgar, que eu levava estando junto a você. E em tudo que eu faço existe um porquê. Eu sei que eu nasci, sei que eu nasci pra saber... E fui andando sem pensar em voltar e sem ligar pro que me aconteceu. Um belo dia vou lhe telefonar pra lhe dizer que aquele sonho cresceu. No ar que eu respiro, eu sinto prazer de ser quem eu sou, de estar onde estou. Agora só falta você!”
            Por mentes mais abertas!
            Paz e amor!



 Nati Ribeiro

E-mail:nribeiro95@hotmail.com
Instagram: nataliaribeiro
 Twitter: natiribeiro95