fevereiro 27, 2015

Sobre inversão de valores, repressão e inteligência.

            Hoje em dia, tudo é feio, tudo é brega. Usar aliança? Cafonérrimo. Dar flores então? Medieval. Estudar? Desnecessário. Buscar novos desafios? Perda de tempo. Não encher a cara na balada? Coisa de gente quadrada. Certos comportamentos tornaram-se, de repente, extremamente conservadores e de mal gosto. Longe de defender o fundamentalismo, estou aqui somente para colocar em pauta um nó preso em minha garganta há tempos: por que não podemos querer o tradicional? Por que, ultimamente, ter uma conduta minimamente ética parece ser inadmissível? Por que o esforço virou sinônimo de falta de inteligência?

                  Há alguns anos, tenho visto cada vez menos pessoas que se orgulham, verdadeiramente, de estudarem. Estudar e até mesmo trabalhar viraram atividades estritamente dos fracos, ou melhor, daqueles que não possuem a sapiência (ou “não manjam dos paranauês”) para se darem bem de modo ilícito. Ser minimamente ético é praticamente um suicídio na sociedade de hoje. Posicionar-se contra alguém que fura filas, por exemplo, é pedir para receber diversos insultos. E como não? Quem nunca deu uma furadinha de fila nos dias de hoje? Parece tão normal infringir certas normas...

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            Outra coisa que tem me incomodado bastante é a questão da vaidade: por que diabos as mulheres não podem mais ser vaidosas? Por acaso virou pecado querer se sentir bonita? Com a ascensão do feminismo exagerado, qualquer depilação já vira um insulto. Sou feminista e defendo até o talo o direito de igualdade das mulheres. Somos capazes de tudo – assim como os homens – e creio que, hoje em dia, todos sabem disso. Se é de conhecimento de todos, portanto, que somos muito mais que meros brinquedinhos sexuais, por que não unirmos nossas habilidades cognitivas com nossa vaidade? Que mal há em querer se cuidar um pouco mais?

            É certo que todo exagero deve ser combatido. Tudo em excesso faz mal e aliena. No entanto, não vejo motivo para querer abolir todas as formas de sedução existentes. Muitas mulheres consideram o salto alto ou até mesmo o batom vermelho como grandes potencializadores da submissão feminina. Não concordo com isso. A mulher como mero objeto sexual deve, sim, sumir do imaginário do mundo – especialmente dos comerciais abusivos. No entanto, um pouco de jogo sedutor não faz mal a ninguém, certo? Se for consensual, ótimo. Se não for, aí já temos um problema a ser resolvido.

            Querer ser admirada por um homem não fará de mim uma machista descontrolada. Posso querer ser reconhecida não somente pela minha beleza, mas sim – e especialmente – pelo meu intelecto. Findou-se a era em que as mulheres deveriam se fingir de burras para conquistarem um homem. Hoje em dia, a inteligência é uma arma poderosíssima. Mais afrodisíaco que qualquer outro atributo sexual, o conhecimento é uma das qualidades mais procuradas hoje em dia. Ou será que não? Talvez o fato de ter um companheiro inteligente demais assuste as pessoas. Afinal de contas, como lidar com alguém que pode te surpreender e/ou te desafiar todos os dias?

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            Talvez esse seja um dos motivos para as pessoas esconderem o ouro e negarem veementemente que estudam. Esforço é sinônimo de crescimento e, a meu ver, o progresso alheio tem mesmo assustado muita gente. Mais fácil, portanto, assumir a burrice de vez ou então fingir que se sabe de tudo, ou melhor, que já se nasceu sabendo de tudo. Quem luta para evoluir na vida é visto com maus olhos, seja porque é considerado incapaz, seja porque intimida os outros, provando, assim, que está conseguindo o que quer.

            E você? Tem medo de ser intimidado pela sociedade repressora? Ou você é um dos que intimidam por puro tédio ou talvez até mesmo por insegurança? O caminho é seu. Eu escolhi crescer. Não olho para trás e nem quero saber quem vai me azucrinar por isso. Joguei fora toda a minha parte vazia, que ousava depreciar os outros sem nem ao menos ter motivo para tal. Hoje em dia, o tempo em que perdia nas fofocas é utilizado somente para o meu proveito. Não tenho vergonha de assumir minha ignorância perante certos assuntos. Nasci sabendo absolutamente nada e, quanto mais estudo, mais vejo que preciso aprender muito. Se sou cafona ou bitolada? Talvez. No entanto, escolhi viver assim e nada vai me fazer mudar. Ou melhor, só eu mesma vou me fazer mudar. E vou. Pois mudo. Mudo mesmo. Com gosto. Sem medo de ser feliz.

 Nati Ribeiro

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