março 20, 2015

Sobre autoconhecimento, relações sociais e solidão.

Exibindo 1.jpg
Por que será que estamos sempre fugindo de nós mesmos? Não conseguimos ficar ao menos um dia sem usar o celular. Somos dependentes de um aparelho que só nos distancia da realidade, bem como nos impede de entrarmos verdadeiramente em contato com nossas mentes.
Um professor me disse, certa vez, que nós, seres humanos, somos dotados de três tipos de consciência. Logo pensei em Freud (ID, ego e superego). Mas ele foi além. Segundo meu mestre, nós possuímos a consciência pura, a social e a virtual. A primeira é a única que realmente não nos decepcionará: ela sempre nos mostrará como somos de verdade.
Sendo assim, as consciências sociais e virtuais estão sempre tentando nos afastar da nossa verdadeira essência. Ao nos distanciarmos dos nossos mais íntimos pensamentos por meio dessas duas trapaceiras, estamos enganando nosso cérebro. Acreditamos sermos de uma maneira, que, na realidade, não condiz com o que realmente somos.
Você já deve ter ouvido e/ou lido sobre pessoas que toparam ficar um dia ou talvez até uma semana longe do celular e de todas as redes sociais. É possível? Mas é claro. Praticamente tudo nesta vida é realizável. No entanto, ao voltarem para suas “vidas”, esses corajosos muito provavelmente descontaram todo o tempo perdido imersos em uma alienação virtual inimaginável.
Exibindo 2.jpg
O fato é: de nada adianta tentar provar a si mesmo que você consegue viver sem um smartphone. Você até consegue, durante alguns dias. No entanto, a abstinência será tão grande que, possivelmente, quando você voltar à conduta regular – cheia de instagrams e tweets – provavelmente estará ainda mais viciado que antes.
Talvez você nem seja um viciado em tecnologia. Mas o simples fato de se isolar do social já vai fazer você enlouquecer após alguns dias. Sua consciência começará a surgir tal qual como ela realmente é. E é disso que eu estou falando desde o início. Nós fugimos de nossa verdadeira essência. Não suportamos conviver por muito tempo com nossos pensamentos. Desejamos sermos rodeados de pessoas e redes sociais, uma vez que elas nos distrairão dos nossos fantasmas interiores.
Qual é o problema em aceitarmo-nos como somos? Será que não somos bons o suficiente? Ou será que simplesmente fomos educados a convivermos com outras pessoas mesmo quando queremos ficar sozinhos? Que o ser humano necessita de um tempo de solidão, isso é vero e todos nós sabemos. No entanto, será o isolamento excessivo prejudicial ao nosso condicionamento? Ou será que nossa relutância em ficarmos sozinhos consiste em pura tolice cultural?
Somos ensinados a sermos cordiais com todos. Precisamos manter laços vivos e fortes para nos sentirmos bem. Quando fugimos do contato com o outro, sentimo-nos excluídos, marginalizados. Vejamos o exemplo: mesmo que muitos optem por ficarem sozinhos em vez de conviverem com pessoas falsas, o que restará, após algum tempo adotando essa filosofia, certamente será um sentimento de solidão inexplicável.
O ser humano, muitas das vezes, prefere pertencer a um grupo, mesmo que esse círculo não lhe agregue valor. Estar sozinho significa desafiar tudo o que um dia aprendemos. O homem é um animal social e, portanto, mesmo que deseje entrar em contato puro e pleno com sua mente, não conseguirá. Será por que foi ensinado a desistir do autoconhecimento? Ou será que realmente não consegue viver sem  o outro?
Há relatos de pessoas que enlouqueceram ao ficarem sozinhas por muito tempo. Teriam elas endoidado de vez? Ou simplesmente aceitaram suas verdadeiras condições de vida, matéria e espírito? Estamos tão desacostumados com nosso verdadeiro eu que, quando ficamos sozinhos, logo imaginamos que nossas mentes são complexas e loucas demais para serem desvendadas.
Exibindo 3.jpg
Quem nunca teve medo de que seus mais íntimos pensamentos fossem descobertos e expostos? Nossa ideia é a de que nossa mente jamais será totalmente correta e, por isso, deve ser escondida de tudo e de todos, inclusive de nós mesmos. Sendo assim, fugimos de nossos pensamentos o máximo que conseguimos. A prova disso é a nossa fixação pelas redes da internet e pelos relacionamentos sociais, sejam eles saudáveis ou não.

Nada como desprendermo-nos um pouco dessas amarras que nos impedem de nos vermos como realmente somos. Nossa mente pode até parecer assustadora, mas ela, definitivamente, é menos cruel que o mundo. Sendo assim, entremos em contato puro com nosso cérebro e aprendamos o máximo para conseguirmos sobreviver ao manicômio denominado Terra.
Natália Ribeiro

E-mail:nribeiro95@hotmail.com
Instagram: nataliaribeiro
 Twitter: natiribeiro9