março 16, 2015

Sobre chamar o bombeiro, bons escritores e dramas advindos do micro


                 Só se chama o bombeiro quando se tem fogo. Será verdade? Talvez no mundo do trabalho, apenas. Nada pior que ser melodramático no ambiente profissional. Já na vida, as coisas funcionam um tanto quanto diferentes. O drama dá sabor à vida, mesmo que seja um sabor amargo. A vontade de viver um roteiro Hollywoodiano consome muitas mentes.
                 Há, sim, pessoas que preferem a quietude e o tédio. Afirmam amar a tranquilidade e o estável. No entanto, há quem não suporte um só dia sem aventura. Viver no tédio não é uma opção. Ter rotina, só se for para desafiá-la.
                    Os defensores do estável são, no geral, os amantes dos concursos públicos e dos trânsitos livres. Praias, redes e cochilos constituem as grandes paixões desses seres. Já para os que buscam o novo, a única opção é arriscar-se. Até mesmo a maneira de prender o cabelo deve ser diferente a cada dia.
                  Se você, assim como eu, está mais suscetível ao lado da aventura, já deve ter percebido que chamar o bombeiro é sempre a melhor opção, mesmo quando não há fumaça. Afinal de contas, se a vida está monótona, nada melhor que acrescentar uma pitada de drama, ainda que fictício. E, para mim, é definitivamente melhor se o caos for fingido. De bagunça, já chega meu caderno de anotações. Drama bom é drama que permanece na folha de papel (ou no computador).

Exibindo writer.jpg

                Um bom escritor ou um bom jornalista é aquele que consegue ver um grande acontecimento até nos pequenos detalhes. Ou melhor, ele consegue inventar um grande acontecimento a partir de uma bobagem cotidiana qualquer. Se algum pedinte lhe surge, ele logo já cria uma crônica falando dos pobres. Se uma abelha lhe pica, ele já escreve um poema sobre os favos do mel da Indonésia.
                 Demorei muito para perceber que o meu drama poderia surgir de algo ínfimo. Antigamente, só o que prestava para mim era o grandioso. Meu bloqueio criativo me atormentava dia após dia. Depois de perceber que tudo surge do micro, consegui deslanchar. Ainda falta muito para eu chegar ao patamar que tanto almejo, mas posso afirmar a todos, com convicção, que hoje estou satisfeita com o andamento dos meus projetos.
           Bitolação não é o caminho. De nada adianta estudar Machado de Assis se não se tem conhecimento amplo das vogais, das consoantes ou até mesmo da língua portuguesa como um todo. A partir das junções das letras, formam-se palavras. De palavras, surgem as sentenças. Das sentenças, as informações. Das informações, a sabedoria. Um passo de cada vez. Do micro ao macro. Construir o que almejamos pode parecer demorado, mas é somente assim que aprendemos. E só o processo de aprendizagem nos acrescenta algo verdadeiramente.

Exibindo drama.jpg 

                Quanto ao acionamento dos bombeiros, encorajo-os fortemente a desvendarem a magia dos pequenos dramas. São eles que nos ajudam a manter o equilíbrio, uma vez que não deixam nossas mentes se acomodarem na preguiça, mas também não as sobrecarregam. Uma pitada de emoção certamente não nos levará ao infarto, tampouco nos deixará morrer de tédio.

Natália Ribeiro

E-mail:nribeiro95@hotmail.com
Instagram: nataliaribeiro
 Twitter: natiribeiro9