sexta-feira, 27 de março de 2015

Sobre estresse do bem, estímulo e desafios cotidianos.

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Ao que tudo indica, o estresse pode não ser tão maligno como todos pensam. Obviamente, doses em excesso desse sintoma podem provocar até mesmo a morte. No entanto, ter algumas descargas hormonais decorridas desse pseudo vilão pode ser essencial para se ter uma vida saudável.

Na realidade, é sabido que, sem o estresse, nós não sobrevivemos. Hormônios oriundos desse fenômeno são fundamentais para nossa existência. Nossos antepassados, por exemplo, só conseguiram sobreviver porque tiveram reações fisiológicas (lê-se: estresse) para fugir dos predadores.

Sendo assim, não devemos olhar certas situações estressantes com maus olhos. Aquele friozinho na barriga ao apresentar um trabalho, por exemplo, faz muito bem para a saúde. Condicionar o organismo a enfrentar pequenos desafios diários deveria ser lei. Afinal de contas, todos sabemos que o nosso corpo precisa de estímulos diferenciados a cada dia.

Todos temos uma rotina. No entanto, sair dela – talvez até mesmo com uma certa frequência – pode ser a melhor opção para estimularmos nosso cérebro, por exemplo. Fazer sempre as mesmas coisas semana após semana nos torna preguiçosos. E a preguiça é a vilã do sucesso.

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Qual é a mola propulsora para sermos bem sucedidos? Pergunta subjetiva, eu sei. Mas, qualquer que seja o ideal que nos move para frente, ele vem sempre acompanhado de uma dose de preocupação. Preocupar-se é chato, eu sei. Mas é essencial – desde que tenha limite, é claro.

O que nos mantém vivos são os desafios. Se nada nos move, somos, portanto, vegetais. O comodismo tem limite. Estimular a memória, por exemplo, nada mais é do que uma forma de se estressar sem perceber. Seja decorando textos ou estudando para uma prova, estamos nos submetendo a pequenas doses de estresse.

Como já diria nosso querido Nietzsche, “aquilo que não me mata, só me fortalece”. Sendo assim, estressar-se – sem exageros, reforço (reforço mesmo!) – torna-nos mais potentes. O estresse libera o cortisol, por exemplo, que age como um anti-inflamatório. Ou seja, menos gripes e resfriados!

Além disso, a adrenalina liberada em situações estressantes ajuda-nos a tomar decisões e a não procrastinar, já que ficamos mais ativos. A dona adrenalina (tão famosa!) também acelera nosso metabolismo. Concluindo: estresse em doses certas emagrece!

Mas todo o cuidado é pouco: se o estresse dura mais que um dia, ele já é maléfico a nossa saúde.  Os benefícios desse fenômeno chegam com seu fim. Ou seja, só colhemos os bons frutos do estresse quando ele termina. Delongar-se em situações que trazem o nervosismo só vai fazer mal.

Busque os desafios no corriqueiro portanto. Em casa, ande no escuro quando for ao banheiro de m adrugada. Desligue o celular e se force a ler um livro sem parar. Não divague muito. Ou melhor, não divague. Treine sua concentração. Nos dias de hoje, é fácil ter um prognóstico de déficit de atenção. Difícil mesmo é tratar essa mazela sem medicamentos. Mas é possível, eu garanto.

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Aguce seus sentidos. Sinta o perfume das suas roupas, do seu café da manhã, do seu xampu. Troque sua bolsa de ombro: se você a usa no ombro esquerdo, passe para o direito e vice-versa. Trace uma rota alternativa para chegar no seu destino do dia a dia – escola, trabalho, academia, etc. Se for fazer mercado, dispense a listinha. Tente lembrar de todos os itens sem a ajuda do papel (ou do tablet).

Ao acordar, assista a um noticiário. Memorize as notícias e tente resgatá-las na mente ao longo do dia. Experimente pratos novos. Selecione uma pessoa ou uma fotografia e tente descrevê-la com o máximo de adjetivos que conseguir. Aprenda uma palavra nova todos os dias: abra o dicionário em uma página aleatória e selecione um termo para memorizar.

Pequenos desafios trazem grandes mudanças. Problemas podem, sim, ser transformados em estímulos. Se a vida nos entrega o estresse, que possamos, portanto, captá-lo com todo o glamour. Ser estressado não é tão ruim assim, eu garanto. Tudo tem um lado bom, basta sabermos olhar pelo ângulo certo.

Natália Ribeiro

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