sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sobre a diversidade negativa, o poder do verdeiro prazer e a beleza do novo

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Aguardando para ser atendida na depilação (sim, sou feminista poser!), peguei uma revista de moda para folhear. Deparei-me com um artigo explicando o mais novo problema da sociedade moderna: a síndrome do F.O.D.A. Alguém aí já ouviu falar nesse “trem”? (mineirismo atacando!)

O nome não é difícil de recordar. O significado, porém, não tem nada a ver com o que a maioria já pensa. É certo que revistas de moda costumam dar umas de “gurus do sexo” e tentarem nos enfiar goela abaixo alguns segredinhos para apimentar a relação. Mas, nesse caso em especial, a abreviatura não era relacionada ao sexo (graças a Deus!). PS: não me lembro o significado da sigla, mas isso não interferirá em nada.

A síndrome do F.O.D.A. consiste, basicamente, na incapacidade de realizarmos nossas tarefas. Vagabundagem? Preguiça aguda? Burrice? Nada disso! A dificuldade em resolvermos nossos afazeres diários vem de uma coisa que, a princípio, parece ser boa: a diversidade.


An? O que a “coitada” da diversidade tem a ver com o nosso protelamento cotidiano? Bom, o fato é que, com tantas opções pulando aos nossos olhos, não conseguimos focar em nada. E, se não focamos em nada, não conseguimos fazer nada.

Já escutei, diversas vezes, pessoas reclamando que, de tanta coisa que tinham para fazer, acabaram não fazendo nada. O desespero chega a ser tão grande que, às vezes, só dormindo mesmo pra fugir da realidade. O indivíduo tá atolado de trabalho, de estudo e de todo o tipo de responsabilidade, mas, como não sabe por onde começar, vai tirar um cochilo.

A diversidade de opções é algo positivo. No entanto, com ela, chegam todos os tipos de distúrbios de atenção existentes na sociedade de hoje. É déficit de atenção, hiperatividade... A moda é ser multitask. Quanto mais tarefas você realiza, melhor você é. Não importa se você tem saúde ou não: a meta é ser sempre produtivo.

Eu mesma me cobro, dia após dia, cada vez mais. Já falei, em textos anteriores, que não consigo ficar sem fazer nada: tenho que manter minha produtividade sempre alta. Mas há uma linha muito tênue entre a eficiência e o estresse. Devemos nos atentar a isso, pois, caso contrário, ficaremos doentes – ou loucos.

Faça a análise: entre na internet e comece a navegar no seu site preferido. Após algum tempo, você provavelmente já estará com 700 abas abertas. E mais: você, talvez, terá até mesmo esquecido do que iria fazer inicialmente. Qual foi mesmo o site que entrei primeiro? Pra que mesmo? O que eu queria ver?

Praças de alimentação: são tantas opções que passamos um bom tempo escolhendo o que queremos comer. E ainda corremos o risco de ficarmos insatisfeitos com nossa escolha. Roupas: sacrifício diário da maioria das mulheres. O mesmo vale para livros, filmes, lugares para visitar... A lista é enorme.

Como, então, fugirmos das armadilhas da diversidade? Como utilizarmos a pluralidade a nosso favor, sem sermos afetados negativamente? Como conseguirmos manter a produtividade sem ficarmos doentes de tanto estresse?

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O primeiro passo é fazer uma lista das prioridades. Tenha em mente tudo aquilo que você mais gosta/mais precisa. Isso vale tanto para pessoas quanto para coisas. A vida é feita de escolhas e, para acertarmos nessa triagem, devemos priorizar unicamente o que é fundamental.

Doe aquela roupa velha que só está enchendo ainda mais seu armário. Livre-se dos objetos que não usa mais (desapegue mesmo!). Tenha uma agenda – e coloque nela tudo o que você precisa fazer no dia. Após realizadas as tarefas, permita-se relaxar. Mas lembre-se que até mesmo o lazer demanda escolhas e, por isso, é necessário saber bem do que você gosta. Pode não parecer, mas, pasmem: milhares de pessoas não sabem quais são seus maiores prazeres.

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Muita gente acredita estar curtindo a vida, mas, na realidade, só está reproduzindo os prazeres alheios. Não é porque todo mundo gosta de ir ao cinema que você tem que gostar também. Tenha em mente – com toda a certeza do mundo – o que de fato te agrada. Se for algo que quase ninguém gosta de fazer, não se preocupe: não há nada de errado em curtir a vida sozinho. Se a ideia do solitário não é muito agradável a seus olhos, vá por outro caminho: conheça gente nova, com os mesmos gostos que o seu. Todo dia é dia de conhecer novas pessoas e novos lugares, bem como novos prazeres.

Natália Ribeiro


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