segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sobre propriedade privada, partilhas e vivência em comunidade

A noção de propriedade é mais antiga do que se imagina. Segundo o filósofo Rousseau, a linguagem foi a única responsável por criar toda a construção social em torno da posse – que vigora até hoje. A partir do momento em que alguém proferiu – em alto e bom tom – que determinado pedaço de terra era dele e de mais ninguém, tudo desandou. Houve muita inocência por parte de alguns ao acreditarem na veracidade desse discurso e, por isso, foi dado início a um ideal de que tudo deve ser dividido – nem sempre (quase nunca!) igualitariamente.

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Sabe quando bate aquela vontade de matar quem roubou seu último docinho? Pois é. A ideia por trás do ditado “com comida não se brinca” é baseada na posse também. Quem foi que instituiu a comida como propriedade privada? Tudo nasceu com a perversão do ser humano: a tentativa de instituir uma hierarquia na sociedade trouxe muitos problemas, como desigualdade, escravidão e subserviência.

Já pensou que, caso o mundo não tivesse essa sede toda de possuir mais e mais, o homem, talvez, pudesse ser mais livre? O estado natural do ser humano é o de manter apenas as funções vitais. Mas, após a instituição da posse como a maior meta da vida, a cobiça invadiu a mente dos pobres mortais e começou a fazer estragos que não têm fim previsto.

Quando se trata de ter algo, ninguém consegue ser plenamente ético. Ideais como justiça e equidade passam longe do espírito na iminência da posse. O ser humano vira um bicho. Nada consegue diminuir a avidez de um ser determinado a conseguir algo para si mesmo. Não há compaixão, não há altruísmo.

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O segredo não é abandonar todo e qualquer resquício do capitalismo (afinal de contas, isso nem mesmo é possível). A solução é abrir mão de um pouco do egoísmo – embora pareça impossível – para que haja mais igualdade no mundo. Não há o menor problema em querer enriquecer e ter regalias infindáveis, desde que não se queira isso somente a si próprio. Partilhar pode ser mais enriquecedor do que muitos imaginam.

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Partilhar não somente bens materiais, como, também, experiências. Engana-se quem pensa que dividir significa reduzir. Dividir é sinônimo de ganhar. Quem dá dez, ganha vinte. Quem dá vinte, ganha quarenta. Quem não dá nada, não só fica sem receber algo em troca, como também retrogrede. Não hesite em usar a voz. Ela é o bem mais precioso e pode revelar mistérios jamais desvendados. A língua foi feita para ser usada. Não desperdice tamanho talento: não se cale. Em meio a todo o espírito de egoísmo e privação existente, exalte-se: experimente o infinito prazer de viver em comunidade.

Natália Ribeiro



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