junho 17, 2015

Sobre Kafka, surrealismo na literatura e humanização do fictício.

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Os famosos arquétipos de Franz Kafka: o que seríamos de nós sem eles? Muitos talvez nem tenham ouvido falar desse escritor tão voltado ao onírico. Creio eu, no entanto, que não é nem preciso ser um conhecedor exímio do tcheco mais adorado dos últimos tempos. Kafka está presente ainda nos dias de hoje, mesmo sem percebermos. Não é necessário ler suas obras para entrar em contato com seus ideais: eles estão mais perto de nós do que imaginamos.
Quem aqui já assistiu a algum filme da saga “Crepúsculo”? Ou já se deparou com algum longa-metragem sobre zumbis? Pois é: Franz Kafka está mais presente nesses tipos de obras-de-arte do que podemos pensar.  Cogitar a possibilidade de um ente querido em uma condição fora do comum é demasiadamente Kafkiano. Conjecture, por exemplo, um irmão seu que tenha virado um inseto gigante da noite para o dia: o que você faria com ele? Acreditaria em sua condição animalesca ou pensaria estar em um sonho (ou em um pesadelo)?
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Isso não é muito diferente do que acontece em Crepúsculo, a título de curiosidade. A garotinha indefesa que se apaixona por um menino estranhamente perfeito: rápido demais, bonito demais e romântico demais. Muito bom para ser verdade, não? Pois é: como lidar com isso? Como lidar com situações fora do comum, especialmente quando elas englobam pessoas nas quais temos um grande apreço? Kafka está rondando os romances contemporâneos sem nem ao menos dar o ar da graça: ele se remexe no túmulo por perceber o tipo de abordagem dado a certos tipos de comportamentos.

Não há nada de errado em transformar o fictício em real. Ou melhor, não há nada de errado em querer que o fictício se torne um tipo de “moral” para o nosso cotidiano. No entanto, não há como negar a necessidade de se escolher rotas ao menos um tanto quanto dramáticas para a resolução da trama. Não há porque dar um tom muito romanesco àquilo que já é romântico em demasia por natureza: sejamos sensatos e demos ao menos um pouco de “emoção dramática” às nossas obras. O vampiro pode até existir – já sendo fictício demais – mas que tenha ao menos algumas características mais humanas para conseguirmos extrair o imaginário necessário para a vida.
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Sendo assim, mostro a vocês ambas as realidades: ou aceitamos os “mamões com açúcar” tão comuns hoje em dia na nossa literatura, ou lutamos contra o sistema midiático, que só divulga aquilo que é de fácil digestão. Um pouco de drama “pessimista” não vai matar ninguém. Muito pelo contrário: vai nos ajudar a crescer como seres humanos mais maduros e mais sensatos. E quem sabe com um pouco mais de sensatez não possamos nos tornar melhores escritores, melhores poetas e, portanto, melhores seres humanos?

Natália Ribeiro



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