segunda-feira, 13 de julho de 2015

Sobre férias

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Férias. Tempo livre. Respiro para o cérebro. Distração. Espairecimento. Desanuvio. Entretenimento. Recreação. Ficar alheio às notícias. Colocar as leituras em dia. Colocar os filmes em dia. Colocar as séries em dia. Arrumar o armário. Doar roupas velhas. Doar sapatos velhos. Comprar vestimentas novas. Mudar o corte de cabelo. Comprar maquiagem. Fazer hidratação. Cuidar das unhas. Dormir até meio dia. Dormir até duas da tarde. Não dormir. Beber até vomitar. Comer até dizer chega. Fazer brigadeiro no meio da madrugada. Fazer noite do pijama com as amigas. Beijar mais na boca. Mexer ainda mais no celular. Pensar em ideias legais para fotos no instagram. Tentar cozinhar. Sentar no sofá e olhar para o nada. Assistir ao programa da Ana Maria Braga. Viajar. Torrar no sol. Morrer de frio. Fazer chocolate quente e tomá-lo com peso na consciência. Comer batata frita até morrer, sem peso na consciência. Andar de skate, bicicleta ou patins. Fazer um picnic. Jogar bola. Ir ao teatro, ao cinema, a museus. Desenhar. Pintar. Descobrir músicas novas. Afinal de contas, para que servem as férias?

A mente humana nunca para de trabalhar. Até mesmo em sono profundo, o cérebro continua em funcionamento. Alguns indivíduos são mais matinais: acordam com energia de sobra para construírem castelos medievais. Outros só engrenam as máquinas após uma boa refeição. Há os que só produzem de noite, quando todo mundo já está no décimo sono. Existem, ainda, os que não acordam jamais: pra que viver se você pode ser um zumbi? O fato é que, com o cérebro trabalhando a 100 ou a 1000, todos precisam de um descanso. Trabalho em excesso dá problema, e todo mundo já está careca de saber isso. As férias, portanto, servem para dar uma pausa no pancadão que a cabeça é submetida diariamente. Com esse fôlego extra, o ser humano é capaz de recomeçar toda a labuta com muito mais energia. Para os “paradões” que não estão acostumados a gastar seus vigores diariamente, esse descanso nem sempre faz a vez. Já para os que vivem em ritmo frenético de trabalho e estudo, tirar férias significa achar um oásis no meio do deserto.

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O psicológico, no entanto, é sempre afetado quando se ouve a palavra “férias”. Mesmo indivíduos preguiçosos por natureza tendem a mudar o humor ao tratarem do tema. Pessoas que são vidradas em trabalho, no geral, postergam o recesso, mas, quando dão uma chance ao descanso, acabam melhorando a produtividade progressivamente. Além disso, estudos comprovam que alguns dias de recesso previnem resfriados, gripes e doenças cardíacas. Nada como algumas semanas sem correria para dar um “up” no sistema imunológico. E, para quem pensa que férias é sinônimo de engordar, melhor pesquisar um pouco mais: sem os hormônios do estresse, a balança se torna uma aliada. Relaxamento significa menos ansiedade e, consequentemente, menos ataques à geladeira.

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O melhor das férias, no entanto, a meu ver, é o tempo livre para ficar com quem se ama de verdade. Recesso é sinônimo de mais horas com a família e com os amigos. Até mesmo ficar no tédio com quem se gosta é menos torturante. Quem estuda pretende crescer na vida para, um dia, trabalhar e ganhar dinheiro. Quem trabalha já ganha seu salário. De que adianta, porém, ter capital se não há tempo para gastá-lo? Pior ainda: qual o intuito de ganhar grana se não se tem com quem usá-la? Investir em bens próprios é necessário, mas, repartir o que se recebe com amigos e família é, além de essencial, muito prazeroso. Comprar algo para si mesmo é bom, porém consumir junto de quem se ama é muito melhor. Portanto, o apelo é o seguinte: que os recessos sejam mais longos para que as vidas possam ser mais saudáveis. Amar demanda tempo. Tempo livre. Tempo longo. Tempo por inteiro. Que haja tempo de sobra para amar.

Natália Ribeiro



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