sábado, 11 de julho de 2015

Sobre religião, diferença e tolerância

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Hindus, budistas, cristãos, agnósticos, ateus, maçons, mormons, satanistas, siloístas. Neste planeta, há de tudo: religiosos fundamentalistas, não praticantes e indivíduos sem crença alguma. Quando se trata de religião, algumas delas possuem pouco mais de um século, o que constitui um tempo ínfimo se comparado às milenares judaicas e cristãs, por exemplo. A princípio, quando descobri a existência dessas novas seitas, fiquei revoltada, afinal de contas, nada mais patético que seres humanos inventando religiões a bel prazer. Após uma breve refletiva acerca do tema, no entanto, percebi que, na realidade, não há o menor problema no surgimento de novos grupos religiosos, uma vez que a maioria deles conflui para um mesmo objetivo.

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É certo que há uma infinidade de seitas por aí que foram criadas com uma única meta: faturar. Porém, até mesmo com esse intuito, não há como negar o benefício que esses grupos trazem aos seus seguidores. Se praticar o bem implica em dar dinheiro a charlatões, pouco importa. Cada um tem sua maneira de procurar a felicidade, não cabendo a ninguém, portanto, desdenhar desses modos. Práticas religiosas não devem ser criticadas, exceto quando começam a fazer mal para o indivíduo.

A religião surge para sanar as inquietudes do ser humano. Salvo os mistérios dogmáticos existentes em muitas doutrinas, a maioria das perguntas existenciais ganham resposta nas religiões. Se foi o homem que criou Deus ou vice-versa, não faz diferença (não neste texto, pelo menos). Praticar a tolerância é, acima de tudo, respeitar convicções e, também, a falta delas. Aceitar que alguém possa ter uma religião ou não é o princípio para a boa convivência. Se todas as religiões pregam a harmonia nas relações humanas, por que, então, o ser humano julga o outro cotidianamente?

É muito fácil o indivíduo se acomodar em um grupo cujos membros possuem os mesmos ideais que ele, pois, dessa maneira, as forças só aumentam. No entanto, é necessário ver que a tolerância começa quando aceitamos que o outro é diferente de nós. Se o companheiro não quer um Deus na vida dele, pode até ser que queiramos persuadi-lo do contrário - e não há o menor problema em fazer isso de maneira saudável. Mas, quando a insistência se torna maníaca, é hora de rever as atitudes.

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O mesmo vale para qualquer outra convicção. Hoje em dia, não se tem mais tolerância em âmbito algum. Queremos impor ideologias políticas, ideais sobre saúde pública e até mesmo gostos musicais. Não é porque o colega é à favor da maioridade penal que você vai crucificá-lo até a morte. Por mais que você creia (piamente, cegamente e apaixonadamente!) que a redução não é o caminho, não há motivos para condená-lo. Converse, exponha seus pontos de vista de maneira clara e tente explorar um outro lado da moeda com ele. Se, mesmo assim, ele não mudar de opinião, respeite-o. Isso faz parte do processo de tolerância. Se vivemos em um país democrático, não há motivos para implantarmos uma ditadura.
Natália Ribeiro



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