setembro 16, 2015

Sobre religião, fanatismo e discussões acalouradas.

Sentada em uma das bibliotecas da minha universidade (sim, são várias!), resolvo pegar uma revista de atualidades francesa. Turistar e aprender com os outros é muito bom, mas, no fundo, sempre sinto falta de uma leitura mais jornalística. Assim como, no Brasil, temos a Veja, a Época, a Carta Capital e tantas outras, aqui também há os periódicos mais famosos, com diferentes opiniões sobre política, economia e religião. Optei pela capa da L'express, aparentemente uma revista de direita (pelo pouco que li). O assunto principal eram os laboratórios médicos e seus perigos atuais. Logo no início da revista, no entanto, deparei-me com uma entrevista muito mais interessante, que me suscitou a vontade de escrever este texto. O entrevistado, Tobie Nathan, é um egípcio cujos pensamentos são considerados livres e cujo último trabalho foi a escritura de um livro sobre os islâmicos. Aparentemente, em seu romance, há a história de sua família, bem como as explicações sobre o comportamento dos fiéis do Islã, muitas vezes taxado como radical.
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Segundo Tobie, o maior motivo de ódio dos islâmicos pelo mundo ocidental é o fato de o ocidente ser muito capitalista. Os islâmicos foram criados lado a lado com o comunismo e, por isso, consideram pecaminosa a atitude de esbanjar. Como o mundo ocidental é muito desenvolvido e preza sempre pelo dinheiro em primeiro lugar, só resta aos islâmicos imaginar que o ocidente está endiabrado. Sim, para esse fiéis, quem tem muitos bens materiais está na companhia do diabo. Sendo assim, a única maneira de acabar com o mal é destruindo o ocidente. Questionado sobre o seguimento fundamentalista de todas as regras islâmicas, o entrevistado apenas respondeu que todas as religiões possuem ordens. O que muda, porém, é a assiduidade dos fiéis na hora do seguimento. O oriente costuma ser mais espiritualizado e, por isso, as leis religiosas são mais respeitadas.

Fiquei curiosa para ler o livro do caboclo, afinal de contas, alguma coisa de bom ele deve ter para oferecer. Mas, enquanto não tomo coragem para comprar a obra, lanço aqui a reflexão: por que algumas religiões são taxadas de terem uma doutrina extremamente conservadora enquanto outras são, digamos assim, mais aceitas pelo público em geral? No Brasil, por exemplo, costuma-se ter um preconceito com os evangélicos, uma vez que eles, teoricamente, são mais conservadores. Mas, na verdade, não existe maior ou menor conservadorismo, afinal de contas, todas as religiões são bem restritivas - de maneira quase igualitária talvez. O que muda é que, no caso dos protestantes, por exemplo, o cumprimento das regras é maior. O Brasil, embora seja um país majoritariamente católico, já não possui mais tantos fiéis praticantes do catolicismo. Castidade, adultério, aborto e tantos outros pontos tão polêmicos na mídia são tratados da mesma maneira, tanto pelos evangélicos, quanto pelos católicos. O que muda é que a maioria dos católicos não segue à risca as doutrinas, enquanto os evangélicos possuem um número um pouco maior de fiéis realmente praticantes. É claro que tudo é relativo e esse foi só um exemplo ínfimo da enorme discussão religiosa que pode ser feita em qualquer lugar do mundo. A semente que planto aqui, porém, é: cuidado com os termos usados. Cuidado com os preconceitos. Desde que as religiões não atrapalhem o andamento do mundo, não há motivo para hostilizá-las. 
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É claro que há muita história horrorosa por trás de todo o pano religioso, mas, se entrarmos nesse assunto, não sairemos mais. Quem quiser, que pesquise. A polêmica do islamismo, no entanto, foi um pouco mais longe, pois feriu o direito à vida de alguns cidadãos ocidentais. Quando o comportamento fanático começa a atrapalhar o funcionamento da política, da economia e da sociedade no geral, aí é o momento para parar e refletir - e, claro, fazer alguma coisa. No mais, tudo certo, tudo bem. Cada um com sua religião, suas crenças ou sua falta delas. Eu sei que parece chato ser sempre tão imparcial (será que sou?) ou tão relativista, mas, infelizmente, essa é a única maneira de ser feliz. Quando começamos a meter demais a colher no nariz alheio, as decepções começam a chegar. É claro que é necessário darmos dicas, conselhos e posicionamentos explícitos sobre tudo na vida, mas, no geral, o melhor mesmo é não se estressar muito. As convicções vêm e vão, mas o estresse da batalha fica - e causa sequelas somáticas. Portanto, antes de brigar por algo ou por alguém, veja mesmo se vale a pena. Se for discussão de mesa de bar, ótimo. Mas, se não, aconselho deixar quieto. Um pouco de lenha na fogueira não faz mal a ninguém, mas, despejar todas as árvores da floresta para fazer uma bela de uma queimada já é um tanto quanto exagerado.
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PS: Mil desculpas pela falta de assiduidade com os textos. O processo de adaptação aqui na Europa foi até rápido, mas, o que realmente atrapalhou foi o encantamento com tudo e com todos. Fiquei perdida no meio de tanta coisa nova que acabei deixando de lado minhas escritas e minhas leituras. A partir de agora, tentarei ser mais disciplinada. Um beijo a todos e, quem quiser, que leia meu blog pessoal (laissezmoicrier.wordpress.com)


Natália Ribeiro


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