domingo, 4 de outubro de 2015

Sobre o assunto mais comentado na Europa

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No Brasil, eu estava em contato com as notícias o tempo todo. Era twitter, jornal impresso, revistas, televisão e rádio. Aqui, na França, não tenho televisor, o que dificulta muito o contato com as novidades. Embora a internet globalize tudo, ainda sim é difícil procurar por veículos sérios e que disseminem os ideais dos quais eu acredito. Sou uma grande fã das tecnologias, mas, infelizmente, devo confessar que nem tudo que se acha nas redes sociais é bom. Sendo assim, meu processo de adaptação ao jornalismo francês está um tanto quanto lento. Ainda não consigo ler colunas de política, de economia ou até mesmo de cultura. O que faz sucesso aqui, não faz no Brasil e, por isso, não entendo muito bem o contexto das notícias francesas. As queridas charges e piadinhas sobre as personalidades mais famosas ainda não fazem o menor sentido para mim. Mas um assunto em específico já chamou minha atenção: a crise de imigração na Europa. Em todos os cantos, só se fala disso. Os refugiados, que vêm especialmente da Síria ou do Iraque, podem ser os heróis ou os vilões das manchetes dos jornais – tudo depende da visão editorial do veículo.

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Pra vocês terem uma noção do quanto esse assunto é comentado aqui, imaginem todas as notícias envolvendo a Dilma e multiplique essa quantia por dez: essa é a proporção de textos, vídeos e charges envolvendo a polêmica sobre os refugiados da guerra. Com tanta gente falando sobre isso, não tem nem como não ficar por dentro do assunto. Já tinha visto algumas notícias sobre isso no Brasil, mas nada comparado à dimensão dada ao tema aqui na Europa. Bom, vou explicar rapidamente (bem rapidamente mesmo!) alguns pontos essenciais para vocês entenderem a polêmica e, depois, darei minha humilde opinião. Existem três tipos de imigrantes: os que buscam melhores condições de vida em outros países, os refugiados políticos e os refugiados de guerra. Os países acolhedores acabam dando prioridade para os refugiados, uma vez que eles realmente não têm outra opção senão a de imigrar. A França tem a tradição de sempre acolher os refugiados políticos e, por isso, não pode simplesmente parar de recebe-los de uma hora para outra. Quanto aos que fogem da guerra, foi-lhes dada a opção de morar fora somente durante o período em que os conflitos estiverem no ápice – após isso, eles devem voltar para seus países de origem. A Europa está realmente dividida com relação ao assunto, uma vez que alguns países querem receber todos os refugiados, enquanto outros acham que isso não é bem um problema deles. É óbvio que não é um presidente ou um primeiro ministro que fala por toda uma nação, afinal de contas, a polêmica ocorre justamente porque, dentro de cada Estado, há pessoas com opiniões diversas. Mas enfim, isso vai longe.

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Minha sensata opinião: não é preciso ser um grande historiador para saber que a Europa dominou todo o resto do mundo. Nós, os brasileiros, fomos colonizados por europeus. Todos os países da África foram colonizados por europeus. O planeta terra foi colonizado por europeus. O que isso significa? Que, a muito tempo atrás, eles se apossaram de todos nós. Invadiram nossas terras e fizeram o que bem entenderam. Nossa resposta? O silêncio. É óbvio que houve muita transgressão às regras, gente tentando fugir e protestar, mas, no geral, tudo ficou como está agora. A prova disso é que falamos português – língua ensinada pelos habitantes de Portugal. A Europa se esqueceu que, um dia, uma quantia enorme de refugiados migrou para outras regiões. A Europa se esqueceu que, um dia, milhares de famílias foram procurar uma vida melhor em outros países fora do continente. A Europa se esqueceu que, ops, a Europa não se esqueceu coisa nenhuma! Ela finge não saber de nada, afinal de contas, o bom mesmo é ser sempre o vencedor da história, certo? Pois é, sendo assim, nada mais justo que lutarmos para que os refugiados sejam, sim, acolhidos pelos Estados. Se isso significa que uma parte da população europeia – que tem muito dinheiro, diga-se de passagem – vai ter que perder somente um pouquinho da sua riqueza para ajudar os outros, que assim seja. A vida aqui é uma beleza: até os menos abonados conseguem viver bem. Que os europeus deixem de ser mesquinhos e abram mão de uma parte ínfima dos seus luxos para ajudar os que mais precisam.  O mundo não vai deixar de rodar por isso. A economia não vai parar. A felicidade não vai embora. Quando partilhamos, o planeta cresce. Quando paramos de olhar só para o nosso umbigo, a satisfação bate à porta. Quando tratamos os outros com dignidade, ganhamos amor.

Natália Ribeiro


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