dezembro 29, 2015

Sobre responsabilidades, escolhas e promessas de ano novo.


Sei que talvez esta semana não seja a melhor para falar sobre estudos, afinal de contas, todos provavelmente já estão de férias, esperando ansiosamente pelas festividades natalinas. No entanto, não posso deixar de compartilhar minhas experiências com relação ao aprendizado aqui na minha universidade da França. Bom, o fato é que eu cheguei aqui na Europa deslumbrada com tudo e com todos e, infelizmente, deixei os estudos de lado. Toda a disciplina que eu havia conquistado em Brasília se perdeu em meio a festas, bebidas e viagens. As provas finais chegaram, porém, e, desesperada, resolvi correr atrás do tempo perdido. Não preciso dizer que foram os dias mais difíceis da minha vida, né? Não pelo fato de estudar em si, mas, sim, pelo fato de ter que aprender a ter disciplina novamente. A mamata de acordar duas horas da tarde acabou e, no lugar dela, muitas datas e nomes de políticos franceses tiveram de ser memorizados. Eu, que durante toda a minha vida fui uma menina aplicada nos estudos, sofri para voltar a andar na rédea. A concentração não chegava, a tentação de querer sair com os amigos era mais forte do que a vontade de ser aprovada nas matérias, e a vontade de ficar na cama ultrapassava os limites humanos.

O que eu fiz então? Bom, milagres que não foram. Não sou santa e muito menos perfeita. Acabei fazendo o que dava para fazer: estudei o suficiente para manter minha consciência tranquila. Infelizmente, não consegui passar em todas as matérias. O choque da desaprovação me pegou de surpresa e me baqueou profundamente, pois eu sempre fui o tipo de menina que tirava notas altas na escola. Após ver os resultados ruins nas primeiras avaliações, a ansiedade tomou conta do meu corpo. Diversos tiques nervosos e noites sem dormir fizeram parte desses últimos dias aqui em Grenoble. Felizmente, os dias de cão me fizeram bem - ao menos no que tange o lado escolar da vida. Consegui notas excelentes em alguns dos meus exames (pois estresse ajuda a estudar) e, após toda a agitação da semana de provas, finalmente consegui descansar. Não que eu não tenha descansado durante todos os outros meses aqui na França, mas, após um período de ansiedade extrema e muita insônia, o organismo necessita de muita recuperação. Aprendi, nessa última semana, que não adianta nada querer dar uma de espertinha e estudar só na véspera. O segredo é, de fato, estudar dia após dia, para que o cérebro processe todas as informações e aprenda de verdade.

A fórmula para o verdadeiro aprendizado já deixou de ser segredo há muito tempo. Hoje em dia, existem diversas palestras, videoaulas e muitas outras dicas sobre como treinar a mente para aprender de verdade e se dar bem nos estudos. A parte mais difícil disso tudo, no entanto, é ter disciplina para seguir todas as regras. Eu mesma já cansei de dizer pros outros que estudar não é do dia pra noite, mas, na hora H, acabava desrespeitando meus próprios conselhos. O ser humano é fraco e preguiçoso e, na primeira oportunidade que ele tem para escapar das responsabilidades, pode ter certeza que ele o fará. Perseverança nas muitas atividades da vida, portanto, é a chave para o sucesso. O que não significa, porém, que, se você falhou uma, duas, ou três vezes, nunca mais vai conseguir reverter a situação. A vida é cheia de reviravoltas e, quer nós queiramos ou não, as tentações aparecem. E elas não só aparecem como acabam pegando a gente de jeito vez ou outra. E quer saber de uma coisa? Deixe-se levar pela tentação de vez em quando. Não há nada de errado em cometer alguns excessos ocasionalmente. Gente controlada demais acaba explodindo no futuro. Regras foram feitas para serem seguidas, mas, cá pra nós: uma fugidinha esporádica faz bem para a alma!

É claro que tudo depende do quanto você quer uma coisa. Se você quer muito passar na UnB, por exemplo, não desista e nem se deixe enganar pelas más companhias. Quando a gente quer muito uma coisa, o negócio é agarrá-la com força. E, para agarrar algo muito difícil com força, infelizmente é preciso fazer alguns sacrifícios. Aposto que quem estuda medicina, por exemplo, deixa de sair com os amigos algumas vezes para conseguir decorar todos os nomes dos ossos do corpo humano. Aposto que quem faz engenharia precisa abrir mão de uma cervejinha numa segunda-feira a noite para poder resolver aquela equação gigantesca. Ninguém precisa ficar trancado dentro de casa, no entanto, estudando ou lamentando pelas notas baixas. Fim de ano, por exemplo, é a época mais propícia para os desesperados se desesperarem ainda mais. É recuperação, é trabalho final de faculdade, é prova pra lá e pra cá… Não é pra tanto que, quando chega o Natal, a galera toda quer descontar o nervosismo na comida. Minha dica é: saiba o que é mais importante para você. Às vezes, de fato, tomar uma cerveja com os amigos vale mais a pena do que fazer um dever bobo de matemática. Mas, às vezes, aquele dever bobo de matemática pode decidir o seu futuro. É tudo questão de escolha. A vida é cheia de decisões para serem tomadas e, quer queiramos ou não, é assim que tem que ser.

Escolha. Escolheu? Agora viva. Se não terminar do jeito que você queria, comece novamente. Faça novos planos e tente um caminho diferente. Nem sempre o certo é o que todas as outras pessoas fazem. Eu, por exemplo, não me arrependo de ter deixado de lado os estudos para poder conhecer outros países, outras culturas e outras pessoas. Aprendi muito mais do que poderia ter aprendido em toda a minha existência. Sou grata a Deus por tudo o que estou vivendo aqui. Sei que sou muito privilegiada por estar vivenciando um intercâmbio tão intenso quanto este e, por isso, resolvi agarrar cada oportunidade com todas as minhas forças. Quando eu voltar para o Brasil, porém, sei que terei de fazer um esforço ainda maior para voltar a ter uma rotina. Quero trabalhar, estudar e começar a dar meus próprios passos. Já não consigo mais me imaginar dependendo do dinheiro dos meus pais. Já não consigo mais me imaginar vivendo na mesma casa que eles. Quero viver vida de adulto. Quero dar orgulho para eles, construindo minha carreira profissional e pessoal. Quero ter condições de poder retribuir em triplo tudo o que eles fizeram e ainda fazem por mim.

Sendo assim, opte. Optou por estudar, faça de tudo para aprender de verdade. Músicas, anotações, aulas particulares… o segredo é misturar, no mínimo, três métodos para um único sujeito. Por exemplo, se está estudando sobre Freud, leia, anote e veja algum filme sobre ele. Ou, se está estudando matemática, crie uma canção para decorar a fórmula, resolva exercícios regularmente e tente ensinar os colegas com dificuldade. Tenha ao menos três maneiras diferentes para lidar com cada tema. Não adianta nada só ler, ou só criar uma música, ou só anotar. O segredo é juntar várias técnicas para fixar uma temática na mente. Se você, no entanto, optou por relaxar, então relaxe. Esqueça os estudos e vá curtir a vida. Não só de responsabilidades vive o homem. Socializar e dar atenção a quem amamos é muito importante para uma vida saudável. Quando estamos muito vidrados em algo, esquecemos de quem a gente ama. Não deixe os desejos mundanos acabarem com a magia da família. Não deixe que a sede pelo dinheiro te faça cego a ponto de deixar seus amigos de lado. Não deixe que o material substitua o imaterial.

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Fim de ano é gostoso mesmo. Natal, família. Ano novo, amigos. Se você não segue essa regra, não faz mal. O que importa é refletir sobre o ano que tivemos e tentar ser melhor no próximo. Se sobrou estudo, que balanceemos a ponto de termos o suficiente de família também. Se faltou responsabilidade, que equilibremos para conseguir um pouco mais de direção na vida. Se faltou entusiasmo para qualquer que seja o âmbito, que possamos ter uma dose extra de animação para reverter o quadro. Pode parecer clichê e imaturo fazer promessas de ano novo, mas, afinal de contas, quem se importa? Ter um pouco de fé extra no ano que está por vir é um privilégio. Há muitas pessoas que gostariam de acreditar em um futuro melhor, mas, infelizmente, não conseguem ser positivas o suficiente para tal. Existem muitos seres humanos que dariam tudo para crer um pouco mais no bom da vida, mas, lamentavelmente, não têm animação tamanha para tal. Se você é daqueles que, como eu, fazem planos e mais planos para o ano novo, sinta-se abençoado. Nada melhor que ter fé num futuro melhor. Mas, lembre-se: a fé sozinha não faz muita coisa. O segredo é ter disposição pra colocar todos os planos em prática e afastar de vez as coisas ruins da vida. E se, no meio do ano, você já tiver desistido de todas as mudanças, lembre-se deste texto. Leia-o novamente. Inspire-se. Nunca é tarde para recomeçar.


Natália Ribeiro



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