quinta-feira, 7 de abril de 2016

SOBRE PENSAMENTO COLONIZADO

Exibindo colonizado1.jpgTodos nós temos o pensamento colonizado. Isso quer dizer que, desde que nascemos, diversos ideais nos foram impostos e, sem que tenhamos percebido, acabamos os acatando para a vida. Se não gostamos de homossexuais, por exemplo, é porque nos foi dito - diversas vezes - que a real família deve ser formada por um homem e uma mulher. Se temos um medo absurdo de ficarmos solteiros (as), é devido ao pensamento da sociedade em que vivemos, que prega o casamento como o único meio de ser feliz. Se achamos que comprar exacerbadamente sem pensar no meio ambiente é necessário, isso quer dizer que fomos criados na cultura do consumo. Como descolonizar, então, o pensamento? Esse é o maior enigma das pessoas que querem, de fato, mudar suas condutas.




É muito fácil dizer que vamos mudar de vida, que vamos consumir menos e só comer alimentos orgânicos. Na prática, no entanto, não é assim que as coisas funcionam. Nossos amigos, que também possuem a cabeça colonizada, acabam nos influenciando mesmo sem percebermos. Quando decidimos nos posicionar contra as maiores mazelas da sociedade, sempre existe uma enorme quantidade de pessoas, publicidade e lugares que nos fazem querer desistir das mudanças. Como ser vegetariano quando toda a sua família quer comer um hambúrguer suculento na sua frente? Como não comprar quando você vai ao shopping e vê cada roupa mais linda que a outra? Como tirar um tempo para meditar quando a sociedade inteira vive com pressa? O pensamento colonizado nos martiriza a toda hora, lembrando-nos que não é tão fácil ter um estilo de vida que contribua para o bem estar de todos, principalmente da natureza.


O primeiro passo é assumir que temos um pensamento colonizado. Quando aceitamos nossos defeitos, conseguimos mudá-los mais profundamente. Que ninguém se transforma da noite para o dia, todo mundo sabe. O importante é diversificar o pensamento de tempos em tempos, conseguindo, assim, aceitar mais diferenças ao nosso redor. Se não queremos viver como os outros vivem, ótimo, mas é necessário aceitá-los da maneira mais sincera possível. Se quero fazer uma dieta rigorosa, por exemplo, devo ter em mente que pessoas ao meu redor podem me deixar com vontade de comer um doce de vez em quando. Por outro lado, se não quero fazer dieta, devo aceitar a culpa que pode torturar minha cabeça de tempos em tempos, já que o pensamento colonizado praticamente nos obrigou a termos um corpo perfeito. Em segundo lugar, é crucial perceber que as diferenças nos fazem crescer. Alienar-se do mundo pode até parecer mais cômodo para quem quer remar contra a maré do colonialismo. No entanto, a longo prazo, essa atitude só vai nos deixar cada vez mais ranzinzas, uma vez que viver em sociedade é altamente saudável - todos sabemos disso. Sendo assim, o ideal é trabalhar, de maneira natural, com as dúvidas e culpas que surgirão no meio do caminho - de preferência, discutindo com os outros sobre os pontos em conflito na cabeça de cada um.





Portanto, nada de radicalizar e perder a oportunidade de aprender com quem pensa diferente. Se o pensamento colonizado está tão arraigado assim (e está incomodando muita gente), que tal conversamos com o máximo de pessoas possíveis para mostrá-los alternativas aos modelos que estão em voga hoje? O mundo está cada vez mais individualista, e isso acaba com as chances de aprendermos coisas novas de maneira divertida. Nada melhor que crescer mentalmente na mesa de um bar, por exemplo, escutando um amigo discursar sobre o consumo sem freio. A vida nos deu a oportunidade de nos unirmos para criarmos laços e sermos completos, mas, infelizmente, muita gente já se esqueceu que está rodeada de pessoas. A solidão pode até parecer vantajosa financeiramente - além de dar uma falsa sensação de paz -, mas a verdade é que ela corrói até o mais mole dos corações. Que possamos dar, então, uma chance ao vizinho. Com boas conversas, acabaremos pouco a pouco com o pensamento colonizado.