segunda-feira, 15 de agosto de 2016

SOBRE PERCEBER, EXPERIMENTAR E AMAR


Estive pensando em algo hoje pela manhã: ser feliz, de fato, só depende de nós mesmos. Se você folhear qualquer livro de autoajuda, frequentar qualquer seita ou até mesmo fazer terapia, vai perceber isso. E, mesmo se você não fizer nada disso, eventualmente vai se dar conta do seu próprio poder alegrador.

Quem cria expectativa com relação a estudos, emprego e relacionamentos sabe muito bem que as decepções virão algum dia. Tudo pode estar aparentemente perfeito em um instante, mas pra que se enganar? A dor chegará. Ela chegará simplesmente porque o único ser que conseguimos ter um controle maior somos nós mesmos - e olha que nem isso fazemos direito. Os outros, portanto, fogem ao nosso controle, muitas vezes tomando decisões que nos chocam profundamente.

Eu me pergunto então: por que tem gente que ainda coloca felicidade em outras coisas/pessoas? Galera, tá na cara: tudo e todos vão te decepcionar um dia. Aquele celular novinho vai ficar obsoleto, a calça vai desbotar, a bolsa, rasgar, a comida, virar fezes, o álcool, ressaca, o crush. desaparecer, o namorado, terminar, a mãe, adoecer, o pai, viajar. E assim vai. As pessoas não vão corresponder às suas expectativas o tempo todo, por mais que elas lhe amem ou tenham algum apreço por você.

Longe de fazer apologia à misantropia, o que quero é implorar, mais um vez, pelo amor próprio. Vamos parar de nos humilhar, gente. Vamos parar de achar que com fulaninho vai ser diferente. Tudo na vida é cíclico: a moda, os relacionamentos, os gostos. Sabemos, portanto, que nada nem ninguém permanecem imutáveis. Vamos, então, receber as mudanças com uma dose extra de amor próprio, encarando as dificuldades como parte do aprendizado e do amadurecimento. O dia em que começarmos a receber as pedradas da vida com passividade, nosso interior mudará para melhor.

Não estou incentivando a pamonhice absoluta, mas, sinceramente, pra que dar aquele grito no trânsito? Pra que chorar porque sua saia não cabe mais? Pra que fofocar da inimiga que talvez nunca lhe tenha feito, de fato, algo muito ruim? E pra que difamar o ex pra cidade toda? Pra que mentir para seus pais? Pra que sofrer para ficar com um corpo igual ao de uma blogueira que você nem ocnhece? Pra que reclamar do cabelo que acordou armado? Pra que fazer desfeita para sua avó que fez um bolo com tanto carinho só porque você está de dieta? Pra que omitir aquele telefonema que você recebeu do ex-namorado?

A passividade, portanto, nada mais significa que simplesmente pensar antes de agir - e pensar bem. Ela é passiva justamente porque, na maioria dos casos, você percebe que ficar calado é o melhor a se fazer. Retrucar demais, xingar demais e fofocar demais só trazem malefícios internos, inclusive somatizações desnecessárias para o corpo. Já parou para pensar que sua rinite, seu colesterol altos ou até mesmo seu sobrepeso podem ter vindo do excesso de fofoca ou daquele perdão que você ainda não deu? Ou que aquela sua gripe poderia ter sido evitada caso você tivesse escutado sua mãe? Ou ainda que aquela sua dor no pé poderia estar bem longe caso você tivesse deixado a vaidade de lado e colocado um tênis em vez de um salto?


Experimente cuidar da pele usando menos maquiagem, emagrecer beijando e fazendo mais amor, tratar timidez com uma taça a mais de vinho, e afastar o mal humor com um sorriso para um morador de rua. Experimente ficar mais rico doando roupas, menos angustiado perdoando, e mais confiante propondo um programa diferente com a família. Experimente se conectar mais deixando o celular de lado, sentir menos dor pisando na grama, e entender os mistérios da vida conversando com uma criança. Experimente trocar o tarô pela sabedoria de uma avó, o choro pelo riso em uma comédia romântica, e o orgulho por uma mensagem de boa noite. Experimente trocar aquela one night stand por uma conversa no bar com um amigo antigo, aquela salada pelo seu doce favorito, e aquela preguiça por uma dança na chuva. Experimente trocar o grito de raiva por uma cantoria sem fim, afastar o tédio indo doar sangue, e diminuir a ansiedade com um banho bem quente.

Experimente. Tudo. Não deixe o velho estagnar seu coração. A vida tem urgência de novidades. O amor está em todos os lugares, pessoas e atitudes. Se ainda não o achou onde está procurando, mude os ares pelo amor de Deus. Pare de esperar por aquilo que você sabe que não virá. E, por favor, mude seu interior. Enquanto você não perceber que o segredo da felicidade é se atentar à maneira como você recebe as coisas em sua vida, tudo parecerá o mesmo.


A vida está te oferecendo tesouros incríveis, mas você sempre os recebe com muita reclamação e angústia. Cadê o perdão, o autocontrole e o pensamento positivo? Sem eles, nem mesmo o maior dos presentes será suficiente. Chega de negatividade. Você precisa de amor.