outubro 13, 2016

SOBRE GERAÇÕES Y E Z, RELACIONAMENTOS DURADOUROS E AMORES PEQUENOS


A geração Y, também conhecida como geração do milênio ou geração da internet, sucumbiu ao amor efêmero. A geração Z, então, nem se fala. Os nascidos na década de 90 assassinaram o amor duradouro. Ou melhor, talvez nem o tenham conhecido. Nesta onda de não se apegar demais e de desistir face à primeira dificuldade que aparece, os jovens se esqueceram de como se cultiva um relacionamento.
No entanto, após muitas bebedeiras e milhares de bocas beijadas, a maioria reclama da solidão. E, se não reclama, somatiza. As doenças vindas da dor da falta de amor são muitas – porém, infelizmente, ainda não reconhecidas como consequências de uma vida desregrada. São anos de análise, ansiolíticos e drogas legais e até ilegais. Tudo isso pra tentar mascarar esta vontade de ter pessoas realmente importantes na vida.
Nem sempre o vazio interior vem da vontade de ter um companheiro amoroso. Às vezes, a pessoa só quer mesmo é ter um amigo íntimo para contar tudo. Mas as relações mais intensas, hoje em dia, estão no virtual. O melhor amigo é o celular. Alguns já estão acostumados com essa realidade -  eu diria que os mais novos, os da geração Z. Já os da geração Y ainda não conseguiram aceitar essas condições e, portanto, acabam sofrendo bem mais.
Sofrem pois não sabem como reverter a situação. Uma vez jogados no mundo do vazio e da superficialidade, é praticamente impossível voltar a viver como antes. E, para aqueles que não suportam ficar sozinhos – seja em restaurantes, cinemas ou viagens – é ainda mais perturbador. Se o Ipad e o Iphone ficam sem bateria, parece que o mundo desabou. O que os outros vão pensar de mim? Sem celular, sem amigos e sem um companheiro. Sozinho no aeroporto, esperando meu voo. Sozinho no bar, tomando minha cerveja. Sozinho no teatro, tentando me divertir com a peça.
Inadmissível aos olhos alheios. Vergonhoso para a própria pessoa. A nostalgia bate forte. Como seria bom voltar no tempo e acabar com esta palhaçada de relações baseadas em fotos no Instagram e declarações no Facebook. Ah, mas o Tinder e o Happn parecem tão apetitosos na calada da noite... Talvez a modernidade não seja tão ruim assim.
Talvez a modernidade não seja nem mesmo um pouco ruim. Afinal de contas, hoje em dia o amor é racional. Se não gosto, descarto. Se estou sofrendo, vou embora. Se não estou satisfeito, procuro outro. Pode parecer covardia, mas a realidade é que é muito melhor ser feliz com amores efêmeros do que infeliz com um amor pra vida toda.
Antigamente, muita gente aguentava o tranco até o dia de morrer só porque não podia pedir o divórcio. Muitas mulheres eram agredidas, traídas e enganadas sem poder falar nada. Muitos eram obrigados a se casar por interesses monetários – o que ainda acontece hoje em dia, mas com consentimento dos próprios cônjuges.
O amor sempre foi interesseiro. Não existe amor puro e sincero. Amar é querer algo em troca. Seja dinheiro, atenção ou o próprio amor. Ninguém quer amar pra ser triste. Ninguém quer ter um companheiro que não agrega valor. E a vantagem de ser alguém das gerações Y e Z é justamente a de não precisar se prender a algo que não traz felicidade.
O poder de escolha aumentou muito. O poder de troca também. E, em meio a tantos câmbios e descartes, talvez achemos, um dia, nosso querido “felizes para sempre”. A única diferença é que todos temos a plena consciência de que amor perfeito não existe. Sabendo disso, fica muito mais fácil se encontrar na vida. Sem expectativas irreais, o mundo responde bem melhor. E, enquanto isso, vamos aproveitando nossos pequenos amores, antes que eles escapem de nossas mãos.