sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

SOBRE CRENÇAS, IMPOSIÇÕES & CONSELHOS


Sou católica. Ou melhor, sou católica, apostólica, romana. Praticante mesmo. Vou à missa todos os domingos e frequento a Opus Dei todas as quartas-feiras. Faço direção espiritual, confesso-me com frequência, escuto meditações, vou a retiros, rezo o terço quase todos os dias, leio o evangelho diariamente, sou consagrada a Nossa Senhora das Graças. Mas sou humana. Pecadora. Não quero ninguém me julgando, chamando-me de hipócrita porque postei uma foto com um mega decote ou porque bebi demais em uma sexta-feira na balada. Cometo pecados. Felizmente, esses pecados são perdoados por Jesus Cristo, e são apagados nas minhas confissões.

Já fui ateia. Já fui budista. Já fui espírita. Já fui ecumênica. Já li sobre o hinduísmo. Já pesquisei diferenças sobre as bíblias católicas e evangélicas. Amo filosofia. Encontrei-me no catolicismo. Nem por isso tento converter ninguém. Nem por isso julgo ninguém. Nem por isso me sinto 100% certa. Acredito na bondade. Acredito no amor. Acredito em um mundo sem inveja. Gosto de críticas quando são construtivas, quando vêm com sugestões e não repressões. Julgar meu comportamento nas redes sociais é fácil, mas olhar minhas mudanças diárias após a conversão é difícil. A santidade é um caminho. Um caminho cheio de caídas e recomeços.

Quem tem facilidade para viver a modéstia ao se vestir pode ter dificuldade em perdoar alguém. Quem tem facilidade em ser solidário pode ter dificuldade em controlar a gula. Quem tem facilidade para rezar com fé pode ter dificuldade com a soberba. Todos nós temos fraquezas e qualidades. Só porque eu possuo uma área na minha vida que, aparentemente, é mais equilibrada que a do vizinho não quer dizer que sou melhor que ele. A menina “hipócrita” católica que posta foto nua no instagram pode ser uma grande neta que cuida da avó doente todos os dias. O menino “hipócrita” evangélico que não segue a castidade pode ser um grande semeador de bons conselhos. A menina “hipócrita” cristã que bebe todos os finais de semana e fica com todos os carinhas da balada pode ser uma excelente cozinheira que distribui comida para comunidades carentes todos os meses.


Ninguém é 100% bom ou 100% mau. Somos de lua. Somos contraditórios. Mudamos de opinião. Voltamos ao início. Saltamos para o fim. Ficamos presos no meio. A estrada da vida exige escolhas, renúncias, atitudes. Se o amigo não tomou o mesmo rumo que você, respeite-o. Conselho é bom e todo mundo gosta e pode dar, mas imposição eu quero é longe de mim. Quem sabe exatamente o que temos que passar? Certas coisas acontecem porque precisam acontecer. Simples assim. Se não houvesse um Judas para trair Jesus, como ele teria morrido por nós?  E, se você não acredita nisso, tudo bem também. Somos todos livres.