sexta-feira, 25 de agosto de 2017

SOBRE PRIMEIRA VEZ


Perguntaram-me sobre a minha primeira vez. Resolvi escrever um texto sobre isso. Eu tinha 16 anos. Estava louca para perder minha virgindade. Mas, na época, não havia feminismo – não tão difundido quanto hoje – e, por isso, as meninas, para transarem, precisavam ter namorados. Caso contrário, seriam consideradas putas. Então, resolvi namorar meu melhor amigo.

Ele não era realmente meu melhor amigo. Era aquele amigo com interesse. Sempre rolou um clima entre a gente. Eu o achava atraente, ele me achava atraente. Ele começou a ir para o meu prédio, nós nos aproximamos e, quando vi, estávamos ficando. Eu estava louca para transar com ele, mas não podia ceder assim tão fácil.

Ele sabia que eu era virgem, portanto me respeitava. Mas também estava louco para fazer sexo. Um belo dia, na casa dele, ele me pediu em namoro. Na cama. No meio do amasso. Sem pensar duas vezes, aceitei. Transamos. Doeu. Doeu muito. Mais do que eu imaginava.

Ele me disse que eu não aguentaria e que pediria para parar. Eu, que já usava até O.B. (nenhuma amiga minha virgem usava), ri da cara dele e disse que eu aguentaria fácil. Mas, realmente, não aguentei. Pedi pra parar. Ele me respeitou. Foi bonito. Foi bom. Eu me arrependi um pouco de ter cedido tão cedo. Mas eu já não aguentava mais.

As duas vezes seguintes foram doloridas. Mas não sangrei tanto. O namoro, que era baseado só no sexo, obviamente terminou. Éramos muito imaturos e não sabíamos o que estávamos fazendo direito. Mas tenho muito carinho por ele. Vou lembrar dele pro resto da vida.

Amo histórias de primeiras vezes. A minha não foi tão emocionante, mas é o que tenho para contar. Mas, sendo emocionante ou não, o que importa é se sentir confortável e querer, de verdade, transar. Se não aconteceu como você previa, não encane. Nunca vai acontecer mesmo. Nada que a gente planeja acontece da maneira que queremos. Aceite e parta para outra.